
“Nunca esteve tão incerto”. A afirmação é do presidente da Câmara Setorial da Mandioca do Ministério da Agricultura, Maurício Yamakawa, ao ser indagado sobre as tendências do mercado da raiz da mandioca. Embora falte a matéria-prima, o preço está em queda nas últimas semanas, afirmou o agroindustrial paranavaiense. Há cerca de 60 dias a tonelada do produto chegou a R$ 300,00. Atualmente, segundo informações da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento – Núcleo Regional de Paranavaí, a tonelada da raiz é comercializada a R$ 253,00.
Yamakawa entende que a explicação para queda nos preços possa estar nos estoques altos das farinheiras e fecularias. No seu entendimento, mesmo com a escassez de oferta da matéria-prima, as empresas estão comercializando farinha e fécula estocadas.
O produtor prefere não vender mandioca na expectativa de novas altas, estimulado pelos negócios acima de R$ 300 a tonelada, praticados dias atrás. Essa expectativa pode se confirmar em cerca de 30 dias, quando diminuírem os estoques das fecularias e farinheiras, analisa. Ele destaca que o valor atual remunera bem o produtor.
Por outro lado, entende que a instabilidade é a principal dificuldade do setor. No preço praticado atualmente não há como a fécula de mandioca concorrer com outros amidos, especialmente o de milho, hoje custando cerca de 50% menos.
Mandioca é um produto que não tem safra, podendo ser colhido em qualquer época do ano. Existem colheitas feitas em um ou dois anos, chamados um ciclo ou dois ciclos. A diferença é a produtividade, sendo maior na cultura de dois anos.
A produção de fécula de mandioca em 2009 no Brasil foi de 583 mil toneladas, segundo a ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca). Apenas o Paraná produziu 413 mil toneladas, respondendo por 71% de toda a fécula de mandioca no país.
(Por Adão Ribeiro, no Diário do Noroeste)
Em Tempo: Mauricio Yamakawa está em viagem na região nordeste do Brasil, visitando clientes e representantes.

Toshie, a comerciante Van Carvalho e Mauricio, no Piauí